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Quarai
11 de maio de 2021

Por omissão da Funai, guaranis de todo o Estado vem a Porto Alegre blindar território de invasores

Um grupo de jovens indígenas guarani promovia um pequeno mutirão na tarde de ontem. Eles precisavam erguer uma cerca ao redor da aldeia Pindo Poty, que fica a poucos metros da rotatória de entrada do bairro Lami, na estrada do Varejão, uma movimentada via do extremo sul de Porto Alegre.
Enquanto alguns faziam correr o rolo de arame farpado entre as vigas de madeira fixadas no chão, outros martelavam para deixar firme a proteção. “É para a segurança do nosso povo”, explica Roberto Ramires, o cacique da aldeia.
 
O motivo da precaução é o aparecimento de uma outra cerca, instalada logo depois da roça de mandioca, milho e melancia dos indígenas, mas que não foi colocada lá por eles. Atrás dela, foram erguidos na semana passada três barracos de madeira, onde agora mora gente estranha aos guaranis e que reivindica um pedaço de chão que a etnia tenta provar que é seu pelo menos desde 2006.
 
Como o processo ainda não foi concluído, a Fundação Nacional do Índio (Funai) disse não poder atuar em defesa dos indígenas. Alarmados, os habitantes da aldeia chamaram reforços e, desde a segunda-feira, 19 de abril, diariamente mais indígenas vindos de outras comunidades guarani – de Porto Alegre, do interior do Estado e até de Santa Catarina – desembarcam na localidade. A população local, que é de 30 pessoas, já passa de uma centena, e mais gente deve chegar nos próximos dias. “Assim é feita a luta dos guarani. Tem que ser todo mundo junto, com força total”, assegura o cacique.

 

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